Auditoria da visita domiciliar na rede credenciada

A auditoria de uma operação de atenção domiciliar tem um problema de origem: a visita acontece na casa do beneficiário, longe dos olhos de quem confere a conta. O auditor não estava lá. Ele depende do que ficou registrado, de quando ficou registrado e de quem registrou. Este texto trata dos princípios do que a operadora precisa ver para auditar a rede credenciada com base em evidência, e não em memória ou em papel que chega semanas depois.
Previsto e realizado, lado a lado
A primeira coisa que a operadora precisa ver é a visita prevista ao lado da visita realizada, para o mesmo beneficiário. É essa comparação que revela a diferença entre o que foi contratado e o que foi prestado. Sem o previsto, o auditor só enxerga o que foi cobrado; sem o realizado, só enxerga o que foi planejado.
A visita que não aconteceu precisa de rastro
A visita que não aconteceu deve aparecer marcada, com justificativa, responsável pela tratativa e o que foi feito para cobrir, e não sumir da lista. Uma visita não realizada que não deixa rastro é justamente a que a auditoria não consegue tratar. Sobre como organizar essa ruptura no mesmo dia, veja Visita domiciliar que não aconteceu.
Evidência: o que sustenta a afirmação de que a visita aconteceu
O que conta como evidência varia com o contrato, com o tipo de visita e com a configuração da operação. Alguns princípios valem em qualquer desenho:
- Quem atendeu, onde e a que horas. A visita precisa poder ser atribuída a um profissional e a um prestador.
- O que foi feito. A evolução e as checagens definidas para aquele tipo de visita devem estar ligadas ao registro.
- Alterações no plano. Se o plano mudou, deve ficar claro quem aprovou e quando.
- O que ficou sem evidência. Uma boa trilha não finge completude: mostra com clareza o que está comprovado e o que não está.
Isso é diferente de afirmar que não há falhas. A trilha apoia a conferência; a análise e a decisão continuam com quem audita.
O problema do registro tardio
Quando o registro chega depois, em papel ou por mensagem, três coisas acontecem. O dado perde precisão, porque quem registra se baseia na memória. A conferência fica concentrada no fechamento da conta, com retrabalho. E a conversa com o prestador vira uma disputa sobre o que ocorreu, em vez de uma leitura do mesmo registro.
Registrar na hora, pelo aplicativo do profissional, muda a posição da auditoria: ela passa a olhar um registro feito no momento da visita. A rede credenciada também ganha, porque dispõe da mesma informação que a operadora e pode responder a uma divergência com o dado em mãos. Sobre glosa, leia Glosa na atenção domiciliar.
Quem é responsável por quê
Na rede credenciada, a cadeia tem vários elos: quem contrata, quem executa, quem comprova e quem responde pela prestação. A auditoria precisa saber, para cada visita, quem ocupa cada papel. Sem isso, a divergência não tem a quem ser encaminhada.
A relação contratual entre a operadora e a rede continua sendo da operadora. O papel de uma plataforma é registrar e organizar a informação, não contratar profissionais nem alterar o contrato.
Perguntas para a avaliação de uma solução
Se a operadora avalia um sistema para apoiar a auditoria da rede, algumas perguntas ajudam:
- O sistema mostra o planejado e o realizado juntos, por beneficiário?
- A visita não realizada vira um registro com responsável e histórico, ou apenas some da agenda?
- A auditoria vê o que ficou sem comprovação?
- Operadora e prestador veem o mesmo registro? O acesso é por perfil, e quem define o desenho?
- O que acontece quando o profissional está sem conexão? A resposta depende da versão e da implantação e deve ser confirmada, não presumida. Veja Aplicativo de visita domiciliar sem internet.
- O fornecedor afirma que a trilha substitui a análise do auditor? Se afirmar, desconfie.
- A solução decide ou prescreve algo? A decisão clínica deve continuar sempre com o profissional.
Indicadores que ajudam a auditoria
Além da visita individual, alguns recortes permitem enxergar a rede: visitas planejadas, realizadas, não realizadas, atrasadas e em andamento; percentual de visitas realizadas por profissional; e pendências abertas, com responsável e histórico da tratativa. Servem para conversar com o prestador sobre melhorias concretas. Cada rede tem a sua realidade; o que importa é medir a sua.
Um passo de cada vez
Não é preciso auditar toda a rede de uma vez. Um caminho é escolher um prestador ou uma região, definir com ele o que será aceito como evidência e comparar, por algumas semanas, o previsto, o realizado e o que ficou sem comprovação. O aprendizado desse recorte mostra o que ajustar antes de ampliar. Para o contexto de contratação, veja Software de atenção domiciliar para operadoras: o que avaliar.
Próximo passo
A HAI planeja as visitas da rede credenciada, registra cada visita feita pelo profissional e transforma a visita que não aconteceu em pendência com responsável, com o registro pronto para a auditoria. Veja a página HAI para operadoras e peça um acesso de teste para conversar sobre a auditoria da sua rede.